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Em Gestação

Macbeth de Oió

Sinopse do espetáculo


Macbeth e Banquo são advertidos por uma feiticeira a respeito de seus destinos: Macbeth se tornará Obá Cossô
e depois Rei de Oió. Banquo, por sua vez, terá uma descendência de reis. Incitado pela sua esposa, Lady Macbeth, o marido assassina o rei atual, Duncan, e  passa a deter a coroa. Para certificar-se de sua permanência no trono, planeja uma emboscada, também contra o amigo Banquo e seu filho, porém eles escapam. Macbeth mata a esposa de Banquo e os filhos do casal que estavam com ela. Atormentada pela série de assassinatos, Lady Macbeth enlouquece e comete suicídio. Banquo e Macbeth enfrentam-se numa batalha final, onde ambos são exterminados. O filho de Banquo, sobrevive e torna-se rei, legitimando, assim, a predição da feiticeira quanto ao destino de cada um deles.

 


Proposta de dramaturgia

Macbeth de Oió será uma obra inédita, adaptada para quatro atores, da história de Macbeth, de Shakespeare,  em diálogo com a mitologia e a cultura dos Orixás, incluindo o uso de formas de verso, experimentais, inspiradas nos ritmos dos deuses afro-brasileiros. Por meio destes versos, a história de Macbeth é recontada, a partir de imagens, símbolos e acontecimentos da mitologia dos Orixás, explorando situações-limite de amor e amizade, fidelidade e traição, e as últimas conseqüências da ambição e violência.

 

Permitirá novas reflexões sobre a história de Shakespeare, bem como comparações com a mitologia da cultura afro-brasileira: a importância da comida e da cerimônia de comer; a importância das roupas e o ritual de se vestir; a crença real na magia e nas profecias e a dicotomia entre o bem e o mal.

 

No mesmo estilo de Gota d´Água de Chico Buarque de Holanda, e Orfeu da Conceição, de Vinicius de Morais, Macbeth de Oió será uma adaptação do roteiro original, de Shakespeare, que mudará o rosto da história, sem perder a essência de sua fonte. 

 


Proposta de encenação


A proposta de encenação caminhará, em Macbeth de Oió, na busca de encenar uma obra que possa abarcar,  ao mesmo tempo, as referências do universo shakespeareano e da cultura de tradição afro-brasileira, assim como procedemos com a dramaturgia. O espectador perspicaz, conhecedor de uma ou outra destas referências, poderá se deliciar nos melindres da encenação, colhendo surpreendentes detalhes para satisfazer suas próprias análises e reflexões. O espectador leigo em Shakespeare e também na cultura dos Orixás captará, sobretudo, a essência do mote tratado na encenação pois, certamente, terá que ver com ele e com toda a humanidade. De qualquer maneira, buscamos que nossos espectadores – eruditos e leigos – possam saborear a linguagem teatral de nossa Companhia que faz uma opção por um teatro tangível, por acreditar que a arte é para todos.

 

Shakespeare incita uma encenação que estimule outros sentidos dos espectadores, por meio de ruídos, mas também pelos silêncios, por aquilo que não é dito, por cheiros e comida- a história original é repleta de banquetes, fartura, embriaguês. Mais uma vez, será por meio da tradição dos Orixás que evidenciaremos tais detalhes da obra do autor inglês. O Orixá consiste numa experiência dos cinco sentidos- o Orixá é dança, cor, ritmo percussivo, cheiro, textura, comidas e bebidas. Comidas e bebidas que nutrem o corpo, aprazem os sentidos, mas que também podem envenenar e matar, se tratados de maneira ritualística e enfeitiçados pelo sobrenatural.

 

Nossa encenação priorizará a ação cênica e os desenhos de movimento físico-vocal, compostos e lapidados, ao detalhe, por cada artista criador. Cada elemento da encenação deverá ser estritamente funcional, servindo ao trabalho criativo de composição dos atores que já, tão somente com seus corpos e vozes permitem ao espectador a experiência gratificante do diálogo entre uma cultura de tradição afro-brasileira e a magnífica obra de William Shakespeare.